Edição 16 - Textos para revisão

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Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por jluismith em Seg Mar 01, 2010 9:04 am

Lá vamos nós de novo.
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por jluismith em Seg Mar 01, 2010 9:09 am

Conto : E nós tínhamos uma música...

Nós tínhamos uma música. Não que fosse exatamente nossa, decidida de forma democrática e de comum acordo, ou que tivesse alguma razão óbvia pra ser a nossa música, como o fato de, sei lá, termos nos conhecido ao som dela, termos dado nosso primeiro beijo quando ela tocava ou termos dançado pela primeira vez enquanto ela rolava numa pista vazia na madrugada de uma boate em algum lugar (mesmo porque eu não sei dançar). Era só uma música que me fazia pensar nela, acho que sem muita lógica ou razão, tanto que eu nunca me dei ao trabalho de comentar com ela que “tínhamos uma música”, já que achava que os apelidos carinhosos já eram clichê o bastante. Não que eu seja um cara de colocar limites, mas ser chamado por nome de bichinho sempre soa como "o bastante".

E nós continuamos tendo uma música sem necessariamente ter uma música até um dia em que estávamos voltando meio bêbados de uma festa. Não me lembro bem exatamente o porque da festa, ainda que me lembre bem o porque de estarmos bêbados (acho que naquela época sempre estávamos meio bêbados, não? E não falo só de nós dois, falo de todo mundo por lá) e eu acabei comentando sobre isso, sobre a música. Foi o tipo da atitude sintomática e meio idiota que sempre começava comigo e causava nela o tipo de reação também sintomática e também idiota que iria me deixar constrangido e ir minando pouco a pouco qualquer resquício de romantismo que eu pudesse sentir. Ou então eu apenas fui me tornando menos idiota com o tempo, também é uma visão.

Estávamos caminhando pela beira de um lago, na saída do campus da faculdade, andando naquele ritmo que só as pessoas meio bêbadas e muito apaixonadas conseguem andar. Por causa do frio vínhamos abraçados, basicamente rindo de toda e qualquer coisa, como se caminhar pela beirada de um lago no inverno em plena madrugada fosse realmente um daqueles programas tão legais que tínhamos dado sorte de não ser necessário ligar antes fazendo reservas e não uma atitude perigosa/boba/desnecessária. Ela tinha cortado o cabelo curtinho, estava usando o meu casaco e estava apertando os olhos daquele jeito que hoje eu acho absurdamente irritante, porque faz com que ela pareça meio idiota, mas que na época era uma das grandes maravilhas do universo pra mim, junto com a batata frita e o Ipod. Eu olhava pra ela, via aquele sorriso e tudo que eu conseguia pensar é que eu estava de mãos dadas com a garota mais linda do mundo e o universo parecia um lugar quente, aconchegante e divertido. Se você me perguntasse naquele momento se eu gostaria que o mundo se mantivesse daquele jeito pra sempre, eu diria que sim, e as crianças africanas que possivelmente fossem todas pro inferno.

Por isso eu estava meio relutante em deixar a noite acabar e resolvi ficar sentado com ela na beira do lago, abraçados. (Abraços que por sinal são uma das coisas de que eu mais senti falta nesse tempo todo. Afinal, não sei se isso acontece com todo mundo, mas sexo casual e ficadas esporádicas raramente envolvem muitos abraços. Beijos? Sim. Sexo? Ok. Abraços? Muito pouco. Abraço é o tipo de manifestação física muito mais ligada a carinho do que a tesão, então acho que assim como uma garota de programa não beija os clientes eu não consigo realmente abraçar alguém de quem eu não goste. Call me a tenderness bitch). E aí eu cometi, como eu já disse, o erro de mencionar a música.

Em minha defesa posso dizer que eu estava alcoolizado, que eu era jovem, que eu estava apaixonado e que a música é realmente...bonitinha. “The Humpty Dumpty Love Song”, do Travis. Bonitinha, como eu disse. Talvez meio idiota, talvez não tão épica (nós não éramos um casal épico),talvez nada espetacular (nós não éramos um casal espetacular), mas era bonitinha (bem, na maior parte das vezes nós éramos um casal bonitinho). Também posso mencionar como atenuantes aquela lua, aquele lago, o fato de estarmos sentados na grama e a garoa que começava a cair. Ou talvez isso tudo sejam agravantes, a classificação é confusa nessas horas.

Eu olhei pra ela e disse que estava feliz de estar ali com ela. Ela me olhou, sorriu e disse que estava feliz de estar ali comigo. Vejam que nessa hora eu poderia tranquilamente ter parado e, sei lá, ter tentado passar a mão nela, alguma coisa do tipo, que teria realmente sido uma grande idéia, algo praticamente visionário naquele momento. Mas não, claro. Eu preferi mencionar a música.

“Qual música?”

E aí eu cantarolei. Eu poderia ter apenas dito que existia a música e ter dito pra ela procurar no Google, não sei. Seria outra idéia daquelas nível “inventei a fusão a frio” em termos de me poupar problemas, mas eu estava numa madrugada inspirada. Eu estava em chamas e não podia parar.

“All of the king's horses,and all of the king's men, couldn't pull my heart back together again. All of the physicians, and mathematicians too,failed to stop my heart from breaking in two. 'Cos all I need is youI just need you,yeah you got the glue,so I'm gonna give my heart to you.”

Tivemos um silêncio de alguns segundos que possivelmente provou todo o conceito einsteiniano de relatividade, porque o tempo e o espaço se deslocaram e aquilo demorou cerca de seis anos pra mim, já que eu estava a bordo da USS Acabei de Notar que fui Idiota, sentado na cadeira de capitão, em velocidade de dobra. E foi aí que ela falou.

“Isso foi...meio gay, não?”

“Humm...eu acho que...talvez...é...possivelmente um pouco...”

“É...e meio besta...assim, bem besta, não sei...”

“É...então...”

“Vamos pra casa?”

“Sim...hummm...vamos, vamos sim”
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Jacaranda em Sex Mar 05, 2010 5:40 pm

Terceira parte de "Você quer fazer quadrinhos"?

Deu 6990 caracteres com espaço. Bom... acho que para duas páginas o máximo é 6 mil, né? Mas eu confio em vossas senhorias para darem um jeitinho Razz


..............................................

Part 7 – A Name
O que é um “nome”? No Japão, eles chamam o primeiro rascunho da história em quadrinhos de “nome”. Trata-se de folhas onde as páginas estão rapidamente rascunhadas com a diagramação prévia e a primeira versão do texto. Nos países de língua inglesa chamam de “Layout”, mas geralmente não há texto, só o desenho. Aqui no Brasil chamam de “Boneco”, mas geralmente ele é uma miniatura das páginas já prontas feitas só para rápida referência e para orientar a gráfica. Trocando em miúdos, a nomenclatura japonesa “nome” faz mais sentido aqui.

Quando o autor já trabalha numa editora é este “nome” que ele mostra para o seu editor, explicando como ele pretende dar prosseguimento à sua série, capítulo por capítulo. E como todo bom editor, o dito cujo dá pitacos no “nome”, pedindo para o autor modificar o que for preciso.

É obviamente muito mais fácil fazer mudanças num “nome” do que num Manuscrito – como é chamado as páginas de quadrinhos já prontas. Por isso é aconselhável que primeiro seja feito um “nome”, este seja lido e corrigido e relido para depois passar para o desenho definitivo das páginas.

Mas antes de bolar o “nome” é preciso bolar outras coisas, como a idéia inicial da história e como ela irá prosseguir e terminar (incluindo os capítulos seguintes). Pode ser um simples texto corrido apenas para consulta de referência. Enfim, o “nome” nada mais é do que uma forma de organizar as idéias antes de partir para a história em quadrinhos propriamente dita.
É claro que existem autores que não fazem “nomes” nem nada. Simplesmente desenham tudo o que lhes dá na telha – e geralmente são autores vendáveis o suficiente para ter poder de peitar o editor e fazer o que quiser. Bem, este método também funciona, mas é preciso tomar cuidado...

Part 8 – Good character, bro!

Toda história precisa de um personagem. Claro que o personagem não precisa necessariamente ser uma pessoa, mas pode ser um lugar ou mesmo um objeto. Seja como for, precisa ter um ponto de referência, alguma coisa que o leitor observe e, a partir daí, o fio condutor seja seguido.

Se esse ponto de referência não for legal, que graça tem continuar lendo?

Quando um autor cria um personagem ele, automaticamente, está pondo todos os seus credos e ideais nele. Se ele quer um vilão, então o autor vai colocar no personagem tudo o que ele acha que uma pessoa má deve ser e fazer. Se ele quiser criar um herói então ele vai colocar no personagem todas as coisas que ele acha que um cara bom deve fazer.

Personagens “bons” e “maus” são o mais comum na maioria das histórias. O embate protagonista/antagonista é universal e sempre dá certo. Mas não precisa ser assim. Podem ser personagens que são apenas rivais, e rival é diferente de inimigo: são apenas pessoas que competem entre si, mas podem ser amigos no fundo. Seja como for, é comum o embate bem/mal. No entanto observem estes exemplos:

Pensem numa história só com caras maus. Digamos, uma guilda de assassinos. Ninguém presta na história! Todos são horríveis e a rivalidade poderia ser, digamos, quem mata o maior número possível de pessoas.Basicamente seria o embate do ruim contra o pior.

Agora pensem numa história só com caras bons. Digamos, um grupo de escoteiros ou paladinos da justiça. E eles ficam disputando quem ajuda mais pessoas, quem salva mais vilas e quem tira mais gatinhos de cima das árvores. Seria o embate do bom contra o ótimo.

Agora pensem: dos dois exemplos citados, qual é o mais interessante? Qual você leria?

... posso estar errada, mas creio que você escolheria a dos caras maus, certo?

De alguma forma nós nos sentimos mais atraídos por vilões. Um herói pode ser muito carismático, mas a maioria dos heróis carismáticos tem defeitos. Um herói totalmente “certinho” é muito chato! Não dá para criar uma história só com “Capitães Planeta”, mas é bacana ver a patrulha aérea do Dick Vigarista disputando entre si para ver quem pega o pombo.

Eu poderia dissertar por horas sobre a “questão da maldade e da curiosidade mórbida nos seres humanos”, mas isso eu deixo para o psicólogo de vocês. A questão é: um personagem carismático não pode ser todo certinho. Mesmo porque todos nós temos defeitos, e as pessoas sempre se identificam mais com aqueles que são parecidos com elas mesmas.

E sobre o Character Design do personagem, é sempre bom estipulá-lo ANTES de você começar a desenhar a história. Fazer pranchas que mostram o personagem de frente e de costas... detalhes das roupas... detalhes dos acessórios dele... tudo o mais! Afinal, se é o mesmo personagem ele tem que ficar parecido em TODAS as histórias que ele aparecer, certo? (a não ser que você queira algo mais experimental... mas vamos falar disso em outra ocasião).

Part 9 – Do you want to read a novel or a comics?
A Nona Arte possui um mecanismo próprio. Tanto para o roteiro quanto para o desenho.
Por mais bonito que for um desenho, se ele não tiver dinamismo a história não irá fluir direito. O mesmo vale para o texto. Excesso de informação atravanca a leitura de uma HQ.

Nem é preciso pensar muito para chegar a esta conclusão. Diga-me, não é irritante ler uma caixa de texto que diz: “Fulano saiu de casa”, aí mostra embaixo a cena do tal personagem saindo de casa. REDUNDÂNCIA é um dos piores problemas em histórias em quadrinhos e são muito comuns, mesmo em histórias de profissionais. Isso também costuma acontecer muito em quadrinhos que são versões “quadrinisticas” de livros. Muitas vezes o autor tenta ser fiel ao livro e acaba colocando texto demais – uma história em quadrinho com muito texto sempre terá problemas.

Em um livro você pode ser bastante descritivo e discorrer por três páginas apenas para falar a respeito da paisagem onde os personagens estão, mas numa HQ você não precisa de palavras: basta uma única imagem.

Sobre os desenhos: é meio estranho você estar vendo uma cena de luta em que os personagens estão praticamente parados, só com seus corpos levemente aprumados para um combate. Ou ainda um personagem pulando de uma forma que parece que ele está agachado... Arte de quadrinhos tem de ser dinâmica e seguir o fio condutor da história, modificando câmeras e visões diversas.

Quer um exemplo herético de desenhos pouco dinâmicos? Peguem o mestre Alex Ross. Um verdadeiro gênio da ilustração, certo? Mas como ele utiliza muita referência fotográfica (o que não é um erro), vira e mexe ele acaba fazendo cenas muito estáticas, em especial as de luta. Ele possui uma boa narrativa para cenas paradas, mas na hora dos personagens se porradearem, parece que você está vendo uma seção de fotos em que o modelo ainda teve que ficar na mesma posição por alguns minutos: e está mesmo!

Outro exemplo: o álbum GENESIS do mestre Crumb, considerado uma das grandes divindades dos quadrinhos. Bem, o álbum é um SACO! Justamente porque é fiel até demais ao texto bíblico, que não funciona literalmente como história em quadrinhos.

A questão é: ao escrever, seja sempre econômico. Não coloque texto desnecessário. E ao desenhar seja sempre dinâmico – só faça personagens parados quando eles REALMENTE estiverem parados. Parece óbvio, mas você verá que não quando começar realmente a colocar a mão na massa.

Terminado os três passos desta edição! Até a próxima!
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Conto - Agente Dias

Mensagem por Agente Dias em Seg Mar 29, 2010 10:51 pm

O Nascimento da Morte

O mundo foi criado e eu não havia sido apresentado, mesmo havendo escuridão. A escuridão deveria ser o ventre a me gerar, mas não, o ventre foi uma maçã. Um conhecimento proibido em forma de fruta. Uma mordida me libertou! Passei a vagar pelos vazios do mundo procurando curiosos e famintos pelo conhecimento proibido.

Arrumei pactos por ai. Na verdade, bastava querer conhecer o bem e o mal e eu estava presente. Os pactos são apenas formalidades. Tenho característica de abusado, de malandro, de marginal, de ladrão, de mentiroso etc. Sei que não respeito nada que viva, mas mesmo assim existe Alguém que devo respeitar.

Eu não estou sozinho. A lua é encantadora, formosa e cheia de mistérios. Eu tive que pedi-la em casamento, não resisti! Os românticos não aceitaram, mas o medo aprovou. Claro, que não sou exclusivo de alguém ou de alguma coisa... A noite é a minha amante. Ambas quando juntas me dão um prazer maravilhoso.

Eu pensei que seria o rei das decisões, pois, eu havia matado a Salvação. Aliás, pensei que havia matado. Um sangue me tirou a coroa da cabeça. Lembra do tal respeito? Então, não posso agir quando se manifesta algo chamado milagre. Que droga! Mas tenho minha liberdade. Limitada, mas é liberdade.

Eu tinha que estar aposentado e retomando a minha antiga função no louvor. Mas não tenho perdão! Ainda bem que ainda existe gente querendo uma maçã, assim não caio no tédio. Essa gente sempre se surpreende quando apareço, me procuram e se surpreendem. Tentam procurar em mim uma forma pra se livrarem na hora H, mas eu não tenho forma, sou modelado conforme a sua fome de conhecimento e automaticamente invisível pra alma. De qualquer forma tô nem ai, sou a Morte! Uma hora a meia noite tem que chegar e azar de quem não tem amizade com o milagre.
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CPF

Mensagem por Rodrigo! em Ter Mar 30, 2010 11:30 am

Não contabilizem esse na conta do J. EU roubei ele do blog, e EU vou diagramar.

CPF
João Baldi Jr.
(Um breve registro que eu encontrei no meu computador sobre os tempos em que eu trabalhava no banco)
“Eu vim aqui regularizar o meu CPF”
“Tá, me passa o número dele então...”
“Bem, o número é xxxxxxxxxxxxxx”
“Ok, me deixa ver...”
“Tá irregular, eu sei...”
“Bem, não tá não...Aqui tá tudo certinho...”
“Tá sim. Eu sei que está irregular, olha direito”
“Não, tá tudo ok. Olha aqui na tela.” - Virando a tela pra ele
“Você tá mentindo. A menina me disse que está irregular...”
“Que menina? Qual delas?”
“Uma menina da minha rua.”
“Não foi uma menina do banco?”
“Não, ela não é de banco não... Não confio em gente de banco...”
“Ela é da receita federal, certo?”
“Não, nada de receita federal não... Nada disso”
“Como ela sabia do seu CPF então? Como ela sabia que estava errado? O senhor foi fazer alguma compra? Ela olhou no site da receita?”
“Não, eu já expliquei... Ela é minha vizinha, olhou meu CPF e disse que estava irregular...”
“Olhou aonde? Que sistema?”
“Olhou com o olho, garoto... Você está me irritando... Ajeita isso logo e pára de perder meu tempo...”
“Me deixa ver se entendi... A vizinha do senhor, que não trabalha em nenhum tipo de instituição que poderia verificar o seu CPF, informou para o senhor, com base apenas na opinião dela, ao olhar para a carteirinha, sem nem mesmo acessar o site da receita, que o CPF está irregular, e o senhor veio aqui?”
“Isso mesmo...”
“E agora, quando eu olho aqui no sistema, onde diz que está tudo certo e mostro pro senhor, o senhor não acredita, porque não confia em gente de banco feito eu, certo?”
“Finalmente você está entendendo...”
“Mas se o senhor não acredita em gente de banco, como eu posso regularizar pro senhor? Porque se eu disser que regularizei, o senhor vai acreditar?”
“Bem...”
“Então... Eu acho que o senhor deveria pedir pra sua vizinha regularizar o CPF pro senhor...Ela olha e como só ela viu o problema, ela mesma resolve, o que o senhor acha?”
“Até que é uma boa idéia... Você não é tão burro assim, rapaz...”
“Ah, eu apenas quero ajudar o senhor... E pede pra ela ajustar a identidade também, notei aqui no sistema que tem um problema nela... E sua carteira de motorista está vencida, ainda que não pareça.”
“Pode deixar, vou pedir sim, claro. Humm...”
“Mais alguma coisa, senhor?”
“Eu acho que não... Tudo bem... Até mais então...”
“Ah, até a próxima. Boa sorte pro senhor...”

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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por jluismith em Ter Mar 30, 2010 12:40 pm

Valeu, Rodrigo!
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Kio em Ter Mar 30, 2010 1:31 pm

Texto: Juliano
Diagramação: Kio
3 páginas


Terremoto: o dia em que o mundo ruiu

Atenção para as últimas notícias: “Acabamos de ser atingidos por um terremoto de 7.6 na escala Richter... O epicentro está localizado a 15 quilômetros ao norte da cidade... O centro e os bairros foram severamente afetados... Pontes caíram e isolaram diversas áreas... A cidade toda está sem energia e a água é escassa... Poucos telefones funcionam... As rodovias de acesso foram completamente destruídas... O aeroporto está fechado para pousos e decolagens. A estrutura da torre de comando caiu... Acidentes por todos os lados... Os túneis desabaram... Explosões começaram a acontecer em toda a cidade com o rompimento dos canos de gás... O sistema de trens e metrô foi comprometido.... Os prédios mais altos começaram a cair como castelos de areia... Os abalos afetaram a estrutura dos canais e locais próximos aos rios foram invadidos pelas águas... Soaram o alerta de Tsunami... Fissuras enormes surgiram por toda a cidade... Os mais perigosos criminosos fugiram das penitenciárias... Decretado estado de calamidade... Nas ruas, a população vai ao desespero... Centenas, milhares de mortos...

Todos nós ouvimos essas notícias nos últimos meses vindas do Haiti e do Chile, localidades severamente atingidas por dois dos mais fortes terremotos de toda a história da humanidade. Mas as notícias acima não vieram de lá. Neste caso, a vida imitou a arte. Elas se referem a um outro tremor de terra, sentido em Gotham City, em 1998 (a publicação brasileira saiu em 1999).
Pudemos ver exatamente o que acontece quando um acidente geológico desta magnitude atinge em cheio uma cidade. Até o homem-morcego foi pego de surpresa. Uma das cidades mais desenvolvidas – e sombrias – do universo DC começa a viver um verdadeiro caos a partir daquele momento. Um caos que nem Bruce Wayne, nem Batman, nem os Vigilantes de Gotham ou mesmo toda a Liga da Justiça poderiam ter evitado.

Uma cidade em ruínas
A saga Terremoto começou na edição 33 de Batman e os Vigilantes de Gotham aqui no Brasil e se estendeu por outras quatro revistas do Morcegão. Na edição anterior, com a chamada Alerta de terremoto, já começamos a sentir os primeiros sinais do que estava por vir, mas não dava para imaginar que o fato seria tão marcante.
Vista de vários ângulos – dos heróis, dos vilões, da polícia e do cidadão comum – a história começou com uma frase capaz de, perdoe o trocadilho, fazer tremer até que tem muito sangue fio. Foi ela: “O homem já andou na lua. Ele constrói cidades, explora o oceano e planta no deserto. Mas quando a natureza se volta contra ele, quando placas tectônicas se chocam e a terra se move... só lhe resta sofrer”.
Com o tremor, todos os equipamentos da batcaverna são destruídos, bem como a mansão Wayne, única propriedade que Bruce Wayne não protegeu contra desastres naturais. Orientado, alguns anos antes, pela sismóloga Jolene Relazzo, o magnata reforçou todos os seus prédios contra abalos sísmicos, menos a mansão, pois durante a reforma, os construtores descobririam o que se escondia em seu subsolo (por algum motivo que não foi ainda apresentado, a doutora Relazzo foi sequestrada logo após o terremoto).
O próprio Batman só conseguiu escapar das ruínas da caverna por um lençol aquático subterrâneo que surgiu com as fissuras. A correnteza o levou para o porto da cidade, de onde pode ver Gotham ardendo em chamas.
Alfred foi resgatado por Harold, um gênio da mecânica e antigo comparsa do Duas Caras, que decidiu se regenerar e foi “adotado” pelo campeão da cidade. A dupla saiu do que restou da mansão ao usar um mini-trator.
Ao longo das emocionantes páginas, pudemos ver como o Cavaleiro das Trevas ajudava os habitantes de Gotham. Algumas vezes como Batman, outras, disfarçando-se de policial; nas demais, por meio de pactos com a “máfia” controlada pelo Pinguim.
Os outros vigilantes também contribuíram. Asa Noturna, o primeiro Robin, fez parte das equipes de resgate; Robin (Tim Drake), que voltava de uma aventura-solo na Europa, juntou-se ao Asa; Azrael cuidou de levar Bane, que havia fugido, para a cadeia; Bárbara Gordon, a Oráculo, comandou junto com seu pai as equipes policiais; a Mulher Gato deu uma pausa nos roubos para auxiliar pessoas que ficaram presas nos escombros, Caçadora e Salteadora tentaram manter, à sua maneira, a ordem nas ruas.
Todos se juntaram para salvar o máximo de pessoas possível. Muitas não tiveram a sorte de ser encontradas. O número de mortes, de acordo com as autoridades locais, chegou à casa dos milhares e o de feridos, a dos milhões.

Submundos do crime e da loucura
Como pudemos ver pelos noticiários de Porto Príncipe e das cidades chilenas, alguns presos aproveitaram a situação para escapar das penitenciárias locais, o que também ocorreu em Gotham, só que todos nós conhecemos quais são os bandidos da “Galeria Batman”, não é?
Um dos capítulos de Terremoto nos deu a visão do abalo na prisão Blackgate e no Asilo Arkham. Em Blackgate – um tipo de “Alcatraz Gothamita”, pela sua posição em uma ilha próxima ao continente – a movimentação de terra abriu uma fenda gigantesca nas paredes do presídio e criou uma “ponte” de pedra, pela qual malfeitores como Mestre das Pistas, Rino, entre outros bandidos classe B, C e D “picaram a mula”, como eles mesmo diziam.
Batman conseguiu impedir a fuga em massa ao enfrentar sozinho este exército de criminosos até a chegada da polícia, mas muitos, como a quadrilha do Mestre das Pistas, conseguiram escapar. Algumas páginas depois vemos que graças à Caçadora e à Salteadora eles são presos (menos o Mestre, que por ser pai da Salteadora, consegue sensibilizar a filha e “se mandar”).
Já no Arkham as coisas mudam um pouco de figura. Quem leu o clássico Asilo Arkham sabe do que seus internos são capazes. Para quem não leu, vai uma pequena amostra de quem está preso lá: Coringa, Espantalho, Duas Caras, Crocodilo e o Charada. No capítulo destinado a conhecermos o que aconteceu lá no momento do terremoto, vemos um dos trabalhadores, o sr. Layney, tendo que ficar sozinho com os maníacos. Ele ficou preso na ala de segurança máxima após os tremores. Para não morrer “de cara”, aceitou fazer um pacto com o Coringa: os internos contariam suas tristes histórias e quem o aterrorizasse mais ganharia o “direito” de matá-lo. Foram todas histórias bem macabras.
Como não havia um jeito de escapar da morte mesmo, Layney disse que não poderia escolher. Ele foi retalhado por todos os bandidos de uma vez só e deixado vivo, porém, com a promessa de que, quando fosse encontrado novamente, quem chegasse primeiro levaria o “prêmio”.

Tremor, uma tentativa de ludibriar “Gatman”
No meio de tanto caos, surge um novo inimigo que se auto-proclama causador do terremoto. Tremor, o vilão, manda uma fita para a polícia de Gotham exigindo cem milhões de dólares para não causar estrago maior. Ele afirma ter instalado um equipamento capaz de gerar um “chacoalho” de 9 pontos na escala Richter.
Como Batman estava ocupado no auxílio às vítimas, cabe a Robin descobrir quem é e onde está a ameaça. Ao rever o vídeo várias vezes, o vigilante percebe o jeito estranho de falar do criminoso, que diz Cavaleiro das Trevas em vez de Batman, por exemplo. Já os detetives Bullock e Montoya descobrem o local da gravação. Ao chegar lá, o trio encontra uma gangue conhecida.
Em seu primeiro contato visual, Robin confirma suas suspeitas com a seguinte frase: “Diz o meu nome, Tremor. Diz o nome do morcego”. A resposta: “Atira nele! Mate o Roguin e o Gatman, se ele estiver aqui!”.
Neste momento descobrimos que foi este bandido que sequestrou a sismóloga Jolene Relazzo e a obrigou a montar um discurso convincente sobre movimentações de terra, ou seja, ele é bandido comum, que queria se aproveitar da situação para faturar: nada mais, nada menos, que o Ventríloquo. Ele criou o Tremor, mas quando foi desmascarado, largou o boneco e assumiu a “identidade” de Scarface. Depois de uma perseguição, o criminoso é preso e a ameaça debelada.

As últimas páginas de Terremoto mostram um outro lado do abalo sísmico, o da solidariedade. Vemos filas enormes se formando em busca de comida e as pessoas auxiliando no trabalho de apoio às vítimas. A cidade ficou totalmente destruída. Não há mais nada funcionando. Os bandidos, por sua vez, perambulam por todos os lugares. Milhares de pessoas ainda estão embaixo dos escombros. Muitas delas, vivas. Algumas conseguirão ser resgatadas, outras, infelizmente não! Em alguns bairros nada sobrou. Certas vizinhanças são apenas memórias. Áreas ficaram isoladas. Pode levar anos para recuperar Gotham. A situação é quase insustentável. Filhos que perderam os pais. Pais que perderam os filhos. Amigos que nunca mais se encontrarão. Amores despedaçados e vidas destroçadas pela força incontrolável da natureza.
As últimas falas da saga, do alto da torre Wayne, são:
Asa Noturna – Eu mal reconheço o horizonte.
Robin – É porque sobraram poucos prédios.
Asa Noturna – Contaram os mortos em mais de cem mil.
Robin – E ainda tem um monte de fugitivos de Blackgate à solta.
Asa Noturna – Gotham vai demorar pra se recuperar desta.
Robin – Se conseguir.
Batman – Pelo menos terminou.
(Neste momento, um novo tremor abala a torre).
Batman – Por hora.

Depois desta intrigante história, vemos nas revistas seguintes os efeitos do terremoto na vida das pessoas e a luta dos vigilantes para deter a onda de crimes que se assola a cidade. Algum tempo depois, Gotham é abandonada pelas autoridades e declarada “Terra de Ninguém”.
O terremoto com certeza mudou o comportamento do Cavaleiro das Trevas, como os abalos que arrasaram o Haiti e o Chile marcarão, eternamente, a vida e a história de seu povo. Como diz o herói em certo momento, agora é a hora da reconstrução.

Por Juliano W. Capato
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Kio em Qua Mar 31, 2010 4:54 pm

Texto: Marcelo Soares
2 páginas


Conto

Sexto Andar

por Marcelo Soares


Marcos esperava o som do sino tocar seus timpanos pela décima segunda vez. Na mão, flores refletiam a luz do sol de tão brancas. A sua frente a lápide recente, não mais que dois dias, apontava o local onde seu amigo fora enterrado, se culpava por não estar por perto quando ele precisou, por não extender a mão para segurá-lo.

Suícidio. Foi o decreto dado pelos investigadores da polícia. Ele não acreditava que um jovem cheio de vida como Aleph se mataria sem motivos, mesmo com uma carta escrita de próprio punho pelo, agora, falecido tenha sido encontrada no local da morte. Mesmo assim, era dificil de acreditar. O relatório policial apontava um pulo do sexto andar através de uma janela, quarto trancado por dentro, sem indicios de arrombamento, cena clássica.

A dúvida o levou até o Reinado Hotel, um dos mais nobres da cidade. O recepcionista, com um sorriso, o comprimenta ao vê-lo chegar com sua presença marcante. Provavelmente, o empregado do hotel não sabia que ele era um diretor de cinema conhecido e amigo do "hospede", como os funcionários destacavam ao falar do falecido.

- Bom dia senhor, como posso ajudá-lo? - perguntou o recepcionista.

- Bom dia, eu gostaria do quarto 601.

O recepcionista o olhou com uma expressão de susto.

- Bem senhor, o quarto não está completamente pronto devido a umas circunstâncias recentes...

- O suicidio do ator. Estou sabendo, sou amigo dele.

Mesmo penalizado e assustado ao mesmo tempo com o pedido, o jovem pegou a chave do quarto e passou para o homem em pé a sua frente.

- Em um instante levaremos sua mala - disse ele, antes de perceber que o homem não tinha mala nenhuma.

- Não tenho, só quero passar umas horas no quarto, pagarei no cartão - falou enquanto mostrava um dos cartões mais valorizados mundo afora.

Assim que pagou a hospedagem por umas três horas, Marcos se dirigiu ao elevador, que logo chegou até o terreo, e pediu ao acensorista para levá-lo até o andar que queria.

- O senhor é aquele diretor de cinema né? - perguntou o acenssorista assim que o elevador iniciou sua subida.

- Já viu algum filme meu?

- Sim, meu filho é muito seu fã, vê direto lá em casa seus filmes. Principalmente aquele sobre o zumbi inteligente que lidera uma horda de zumbis contra os humanos.

O homem ri "por dentro", mesmo sendo seu filme mais clássico e antigo, foi também o mais complicado de fazer e o primeiro que fez com Aleph.

- É, todo mundo adora esse. - responde.

O elevador para no sexto andar. A porta abre.

- Até mais! - diz o diretor

- Até - responde o acenssorista - meu filho não vai nem acreditar!

A porta do quarto 601 se abre revelando o cheiro de materias de limpeza usados a pouco tempo, que deixaram o local impecavél. Um apartamento grande, do tipo que o falecido adorava: sala com mesa de vidro, televisão de infinitas polegadas, sofás coloridos superaconchegantes. Ele segue direto para o quarto.

No comodo uma cama de casal gigante, frigobar, tapete por todo o chão e um vazio. O homem olha a janela, agora não mais a que se espatifou ao choque com um corpo humano dois dias atrás.Podia rever a cena: Aleph ali parado, olhando para o lado de fora, vestindo uma calça, sapato e camisa social, desabotoada, segurando um copo de bebida. Seu amigo toma um gole da bebida e se vira para ele.

- Sabia que você viria ver o meu fim - diz o morto.

- Ainda com raiva? Só fiz o que devia.

- E isso incluia me deixar? Abandonar nosso amor?

- Era preciso, eu lhe contei que não podia me envolver mais com você.

- Sei, você tinha trabalhos a fazer.

O copo cai no chão ao mesmo tempo que as lágrimas do rapaz escorem pelo seu rosto. O visitante do último local que viu seu amigo vivo abaixa a cabeça em lágrimas. A "visão" a sua frente vira o rosto para a janela e corre em direção a ela se chocando com força, quebrando-a, e seguindo seu caminho para o fim.

O silêncio toma conta do quarto. O homem levanta a cabeça e vê o nada. A janela intacta, nenhum copo no chão.

- Foi preciso Marcos! - diz uma voz vindo da porta do quarto.

Marcos olha para trás e vê um antigo amigo.

- Gregório, veio fazer o que aqui?

- Não se preocupe, não farei como os outros anjos. Não direi que você nunca deveria nem ter falado com o rapaz quando o viu a primeira vez.

- Eu me apaixonei, por conta desse amor quase perdi minha divindade. Tive que deixá-lo e ele só sobreviveu porque lhe mostrei a verdade.

- Eu sei. Ele só lhe deixou em paz e seguiu a vida quando viu que você era um anjo com uma missão divina na Terra.

- O que não entendo, é por que agora... por que o suicidio agora Gregório?

- A mente humana se protege muito fortemente, mas chega momentos que não aguenta a verdade.

- Para que existir anjos se não podemos impedir esse tipo de coisa?

Gregório fica em silêncio. Marcos se senta na cama com o olhar perdido no tempo, tentando mais uma vez voltar ao passado e ver seu amado, mas não consegue, ao se virar para reclamar com seu colega se vê mais uma vez sozinho. Por três horas ele ficou ali, parado, olhando para o infinito, mostrando para um mundo que não podia ver que até anjos choram perante a morte.

FIM
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por jluismith em Ter Abr 13, 2010 10:37 am

Entrevista com Victor Cafaggi

Peter Parker, adolescente tímido que foi picado por uma aranha radioativa e com isso ganhou super-poderes é uma dessas histórias que todo mundo conhece e que com o tempo acabaram se tornando parte da cultura pop. Mas como foi a infância do garoto que iria se tornar o Homem-Aranha? É sobre isso que fala a tira “The Amazing Adventures of Puny Parker, do mineiro Victor Cafaggi, que foi lançada na internet no blog www.punyparker.blogspot.com e em pouco tempo criou sua própria legião de fãs e admiradores com a mistura do universo do Cabeça-de-Teia e do mundo infantil de idas a escola, valentões e primeiros amores (sim, temos uma certa garotinha ruiva nessa história)

Numa rápida entrevista falamos com Victor Cafaggi sobre Puny Parker, a Marvel, influências (porque é impossível ler Puny Parker sem pensar em Waterson ou Schulz), novos projetos e reação do públicos as tiras, pra que os leitores do Farrazine conheçam um pouco mais sobre o autor de uma das tiras mais divertidas e interessantes da internet (além de ser uma das que eu mais gostaria de ver numa animação)

Começando com uma pergunta sobre você. Quem é Vitor Cafaggi, quando e como você começou a desenhar e que projetos você já teve anteriormente?

Eu sou mineiro de Belo horizonte, formado em Design Gráfico, sempre fui fanático por quadrinhos e, desde 2008, comecei a me dedicar mais à ilustração e a colocar antigas idéias no papel. Tenho 31 anos e Puny Parker é meu primeiro trabalho fazendo quadrinhos. Antes disso, já fiz alguns desenhos para campanhas publicitárias e material didático.

De onde surgiu a idéia para “Puny Parker” e quais foram as suas principais influências?

Não sei exatamente de onde surgiu a idéia. Não houve um momento específico que eu me lembre como sendo o da criação dele.

Acho que o Puny é uma mistura de tudo o que eu gostava na minha infância nos anos 80. Eu lia as revistas do Homem-Aranha, as tirinhas do Calvin, assistia o desenho do Charlie Brown na TV, ia ao cinema para ver De volta para o Futuro, Os Goonies e os filmes do Stallone.. acho que a idéia não surgiu.. ela sempre esteve aqui comigo!

Para mim, nosso jovem Peter Parker é um menino muito parecido com o Charlie Brown (tímido, azarado, apaixonado..) que vive uma vida parecida com a do Calvin (problemas com valentões na escola, tem uma imaginação muito fértil e figuras paternas bem marcantes). Os trabalhos dos Bill Watterson e do Charles Schulz são, com certeza, minhas grandes influências em Puny Parker.

Você teve algum tipo de problema legal com a Marvel pelo uso dos personagens?

Não, a Marvel nunca se manifestou sobre as tirinhas. Já mandei e-mails e uma carta mostrando as tirinhas. Até pro caso deles me falarem pra parar de fazer isso. Mas, até hoje não tiver resposta. Não me preocupo com isso. Gosto de pensar que, pelo menos eles estão avisados que eu estou fazendo isso, entenderam como uma homenagem aos personagens e às histórias deles e acharam que não tem problema.

Existe algum projeto de publicação das tiras, seja numa coletânea ou num jornal?

Não, nunca foi meu objetivo. Duas grandes editoras brasileiras já entraram em contato comigo interessadas em publicar um encadernado com as tirinhas, mas como todos os personagens das tirinhas são adaptações de personagens da Marvel Comics, eu só vou publicar se, um dia, a própria Marvel autorizar ou se interessar por elas. Puny Parker é um trabalho bem despretensioso. Quando eu desenhei a primeira tirinha nem pensava em fazer uma segunda. Comecei a fazer as tirinhas semanalmente só pra me condicionar a desenhar sempre. Na época, não pensava nem em fazer um blog pra mostrar elas, quanto mais publicar um encadernado com elas.

Como tem sido a recepção do público em relação as tiras?


Nossa, não podia ser melhor. Já recebi elogios que eu nunca imaginei que fosse ouvir, inclusive de gente que eu sou fã, como o Fabio Moon, o Mario Cau, o Fábio Yabu e o Gustavo Duarte. Além disso, o blog já tem seu público cativo, que sempre comenta lá e me ajuda a divulgar as tiras. Outra coisa legal, é que tem sempre uma pessoa nova que acabou de conhecer as tirinhas e me manda e-mail ou comenta com os elogios mais legais que eu poderia receber. Sinceramente nunca imaginei que teria esse tipo de retorno fazendo tirinhas. Fora que, com tanta gente conhecendo meu trabalho por causa dessas tirinhas, eu sou convidado a participar de projetos incríveis como o Pequenos Heróis e o MSP 50.

Quais são seus outros projetos? Tem o Pequenos Heróis, que você citou, teve o MSP 50...

Estou desenhando uma revista que pretendo lançar em outubro desse ano. Já escrevi ela toda, desenhei umas sessenta páginas e ainda vou arte finalizar. Vai ser uma história original completa de cem páginas que fala basicamente sobre amizades, relacionamentos e zumbis!

Fora isso, Pequenos Heróis 1 ainda vai ser publicada esse ano. Esse é um projeto do escritor Estevão Ribeiro que eu desenhei juntamente com outros grandes quadrinistas nacionais e em 2010 também vou participar do Pequenos Heróis 2.
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Kio em Ter Abr 13, 2010 12:01 pm

Texto: Hiro
Diag.: Kio
3 páginas

Quem for revisar, não se preocupe com as tabelas em desordem. Tenho todas certinhas comigo.



Os Kana: Hiragana

Rafael “Hiro” Machado Costa


Até algum momento entre os séculos II e III, o Japão não possuía forma escrita de linguagem. Foi aí que introduziram em sua cultura o Kanji (“Escrita de Kan”). O Kanji é um método de escrita de origem chinesa baseada em ideogramas, ou seja, símbolos que representam uma idéia. Dentro da China existem vários idiomas, alguns deles muito diferentes entre si. Logo, em cada região existe uma palavra diferente para um mesmo conceito. Entretanto, em geral os ideogramas têm o mesmo significado. Mesmo falando sons diferentes para expressar uma mesma idéia, o símbolo gráfico que a expressa é uniforme. A conseqüência disso é que um texto escrito em kanji pode ser lido por qualquer um na China, mesmo que escritor e leitor falem idiomas diferentes.
Primeiramente o método dos Kanji foi usado para redigir documentos e textos religiosos no Japão, mas no idioma chinês, parecido com o ocorrido em relação ao latim durante a Idade Média européia. Entretanto, o idioma falado japonês já existia e possuía características próprias. Aos poucos, os ideogramas Kanji foram sendo rebatizados pela palavra equivalente japonesa. Atualmente no Japão, cada kanji tem pelo menos duas formas de pronúncia: a chamada kun, de origem japonesa, e chamada on, de origem chinesa, e a pronúncia correta varia dependendo do contexto em questão. Posteriormente surgiram outras duas formas de escrita denominadas kana (“letra provisória”) que não se tratavam de ideogramas, e sim de sinais fonéticos.
A primeira forma de kana foi o Hiragana (“Escrita Comum”), criado pelas mulheres nobres da corte no século IX que dedicavam boa parte de seu tempo à produção literária. O objetivo do Hiragana era simplificar a forma de escrita, e logo essa técnica foi espalhada entre o restante da população que não tinha acesso à cultura clássica chinesa e ao estudo do Kanji. Ainda em uso corrente no Japão, de acordo com az regras ortográficas atuais, o Hiragana deve ser usado para se escrever palavras de origem japonesa, bem como as terminações indicativas de formas e tempos verbais de verbos quem tem como raiz um Kanji e no uso das partículas com funções gramaticais. Também aparecem comumente de tamanho diminuído ao lado ou acima dos Kanji indicando qual é adequada pronúncia para aquele Kanji no contexto que foi usado, facilitando a leitura.

Existem quarenta e oito Hiragana básicos, que são os seguintes:

T A B E L A 1


N

WA ら
RA や
YA ま
MA は
HA な
NA た
TA さ
SA か
KA あ
A

WI
(arcaico) り
RI み
MI ひ
HI に
NI ち
CHI し
SHI き
KI い
I

RU ゆ
YU む
MU ふ
FU ぬ
NU つ
TSU す
SU く
KU う
U

WE
(arcaico) れ
RE め
ME へ
HE ね
NE て
TE せ
SE け
KE え
E

O
(partícula) ろ
RO よ
YO も
MO ほ
HO の
NO と
TO そ
SO こ
KO お
O


Comentando a tabela numerando as linhas na ordem crescente de cima para baixo e as colunas da direita para a esquerda.
Na primeira coluna temos as vogais (A, I, U, E e O), que têm as pronúncias iguais às do português. Cada uma das linhas horizontais está associada à vogal bem à direita da linha.
A partir da segunda coluna, existe um som de consoante associado a cada vogal. Logo, cada um dos Hiragana representa um fonema/sílaba/som. Esta segunda coluna está associada à nossa letra “K”. Então, de cima para baixo temos os fonemas “KA”, “KI”, “KU”, “KE” e “KO”.
A terceira coluna segue a mesma regra em relação ao nosso “S”. Vale destacar aqui que em japonês o “S” sempre terá o som como em “salada”, e nunca o som equivalente ao da letra “Z” como em “casa”. Também é digno de comentário o fato de que não existe o fonema “SI” e sim “SHI”, e que este “SHI” tem o som equivalente ao do “XI” em português como o da palavra “xícara”. Ainda acontece do fonema “す”, que normalmente tem o som de “SU”, que, quando aparece ao final de uma forma verbal tem o som de apenas “S”, como no português em “batatas”.
Na quarta coluna, relativa à letra “T”, deve-se notar o fonema “CHI”, que se pronuncia como algo parecido com “TCHI”, e o fonema “TSU”, que se pronuncia como uma única sílaba e não como “TISU”. Logo, o correto é “tsu/na/mi”, e não “ti/su/na/mi”.
A sexta coluna é a da letra “H”, que se pronuncia como em “house” do inglês ou o “R” duplo do português como em “corrida”. Não existindo a forma “HU”, e em seu lugar havendo o “FU”, que possui o mesmo som do português.
A oitava coluna é a do “Y”. O “Y” sempre forma sílaba com uma vogal seguinte, como um ditongo, e sempre faz o papel de semivogal, existindo apenas as formas “YA”, “YU” e “YO”.
A nona coluna é a do “R”. Em japonês o “R” sempre tem o som que apresenta na palavra portuguesa “arara”, mesmo quando aparecer no início de palavras ou após consoantes, e nunca o som que apresenta na palavra “roda”.
A décima coluna é a da letra “W”. O “W” também forma sílaba com uma vogal imediatamente posterior e atua como semivogal. O “W” sempre tem o som da letra “U” funcionando como semivogal. Entretanto, apenas o fonema “WA” é usado no japonês. Os caracteres relativos aos fonemas “WE” e “WI” são arcaicos e fora de uso. Já o fonema “WO” também é fora de uso no japonês atual, mas a letra relativa a ele ainda é usada, mas com o som de “O” e apenas com a função gramatical de partícula que identifica o objeto da frase.
Na última coluna temos o “N” que tem o som de “N” no final de sílaba após uma vogal, como na palavra “pensar”.

Além desses caracteres básicos existem dois sinais gráficos auxiliares: o “tenten”, parecido com as aspas, e o “maru” (“círculo”) que são colocados ao lado direito dos caracteres para modificar os seus sons.



T A B E L A 2



PA ば
BA だ
DA ざ
ZA が
GA

PI び
BI ぢ
JI じ
JI ぎ
GI

PU ぶ
BU づ
ZU ず
ZU ぐ
GU

PE べ
BE で
DE ぜ
ZE げ
GE

PO ぼ
BO ど
DO ぞ
ZO ご
GO

Sobre essa tabela posso dizer que a primeira coluna refere-se ao “G”. Qualquer um dos caracteres referentes ao “K”, quando contendo o tenten à sua direita, pronuncia-se com o som de “G”. Notando-se que o fonema “GI” se pronuncia como o “GUI” em português, e o “GE”, como “GUE”. Assim, o “G” nunca tem som similar ao do “J” português.
Na segunda coluna mostra que os caracteres associados à letra “S” passam a ter som da letra “Z” quando acompanhados de tenten. Destaque para o “SHI” que com tenten torna-se “JI”, que se lê como “DJI”.
Na terceira coluna temos os caracteres associados à letra “T”, que com tenten tornam-se a letra “D”. Exceto nos casos do “CHI” e “TSU” que ficam como formas alternativas para “JI” e “ZU”, respectivamente.
A quarta e quinta coluna são as formas variantes da letra “H”. Quando acompanhadas de tenten ficam como sendo os caracteres associados à letra “B”, e quando acompanhados de maru tornam-se os caracteres da letra “P”.

Existem ainda as formas “minúsculas” de alguns caracteres.






T A B E L A 3


YA ぁ
A

I

YU っ
TSU ぅ
U

E

YO ぉ
O

Essas “formas minúsculas” de vogas servem para as combinações que veremos na tabela seguinte. O destaque aqui é para a forma reduzida de “TSU”, que tem a função de dar uma pausa/”travada” na pronuncia, e na transcrição para o alfabeto latino é representada como repetição da consoante imediatamente posterior. Exemplo a palavra ばっとうさい se transcreve para o alfabeto latino como battousai, e tem pronúncia “ba-- toosai”.

Existem ainda as formas combinadas com os caracteres “diminuídos” associados à letra “Y”.

T A B E L A 4

りゃ
RYA みゃ
MYA ぴゃ
PYA びゃ
BYA ひゃ
HYA にゃ
NYA ちゃ
CHA じゃ
JA しゃ
SHA ぎゃ
GYA きゃ
KYA
りゅ
RYU みゅ
MYU ぴゅ
PYU びゅ
BYU ひゅ
HYU にゅ
NYU ちゅ
CHU じゅ
JU しゅ
SHU ぎゅ
GYU きゅ
KYU
りょ
RYO みょ
MYO ぴょ
PYO びょ
BYO ひょ
HYO にょ
NYO ちょ
CHO じょ
JO しょ
SHO ぎょ
GYO きょ
KYO


Quanto a essa tabela, permanece a regra de que as formas contendo os caracteres relacionados à letra “Y” formam uma mesma sílaba/som/fonema não podendo ser separados na pronúncia.
Os caracteres da terceira coluna são as variações do “SHI”. Os caracteres “SHA”, “SHU” e “SHO” possuem o som, respectivamente, como os de “XA”, “XU” e “XO”.
A quarta coluna tem as variações de “JI”: “JA”, “JU” e “JO”, e se pronunciam como “DJA”, “DJU” e “DJO”.
Na quinta coluna estão as variações de “CHI”: “CHA”, “CHU” e “CHO”, cujas pronúncias são algo como “TCHA”, “TCHU” e “TCHO”.
As demais colunas seguem o modelo geral dos sons das consoantes das tabelas acima, combinando com a regra do som de ditongo com o “Y” como semivogal, completando assim todas as formas de ocorrência dos caracteres Hiragana.
Ainda deve se notar a pronuncia de certas vogais. A letra “I”, sempre que aparecer em uma palavra imediatamente seguinte à letra “E”, esse “I” também terá som de “E”. O mesmo vale em relação à letra “U”, que seguinte a uma letra “O” terá também o som de “O”. Como exemplos, temos os nomes “Hiei” e “Gouki”, cujas pronúncias são, respectivamente, “Riee” e “Gooki”.
Aí estão apresentadas as regras para a leitura e escrita em Hiragana na forma mais condensada que me foi possível. Espero que possa ser útil, ou ao menos tenha saciado a curiosidade dos leitores. Na parte seguinte, trarei as regras do terceiro alfabeto japonês: o Katakana.
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por InVinoVeritas em Ter Abr 20, 2010 8:26 am

Acordei meio deprimido hoje e decidi dar uma passada pra ver se não conseguia espalhar essa melancolia entre os amigos...
Laughing Laughing Laughing
Saiu um contículo, poderia entrar como uma história urbana. Resolvi postar aqui.

---------------------------------------------------------------------------------

TRISTE, TRISTE.

Olhou (talvez pela milésima vez) para a praia onde havia decidido acabar seus dias, numa cabana claustrofóbica feita com madeira roubada, e se sentiu como Odisseu, de volta a Ítaca, sem coragem para aparecer na soleira de sua própria porta. Diante do oceano incompreensível na luz do raiar do dia, sua própria existência parecia remota, apenas um pensamento distante, prestes a ser disperso, como névoa, pela luz dura do amanhecer.
Um sentimento de profunda comunhão com o divino o envolveu. Deixou-se contagiar pela visão do nascer do sol até que pouco importasse onde ele terminava ou começava o horizonte: eram um só, ele e esse momento de qualidade fantástica, de luz sobrenatural. Nada mais havia senão a unidade da luz e os gritos distantes de gaivotas. E as ondas, e as algas, e a areia em seus pés. O aroma insistente de peixe podre e as ínfimas tragédias diárias, e também o murmúrio do vento, frio, frio, em seus ouvidos.
Sabia que o dia havia chegado. As dores estavam mais freqüentes, e os medicamentos roubados na farmácia local – com alguma ajuda do atendente, é verdade, e a condescendência do farmacêutico, que simpatizava com seu estado – já não adiantavam. A resignar-se a uma existência de dor e à progressiva ignomínia da doença, maculando toda a independência e liberdade, que, todas as contas feitas, eram o patrimônio que lhe restava, preferia a não-existência, ou outro eufemismo qualquer.
Pensou uma última vez na mulher e nas duas filhas, que não via há meses – desde que o diagnóstico lhe deu o que pensar sobre fazer ou não com que sua família acompanhasse o triste processo de sua ruína – e começou sua jornada definitiva rumo às ondas, sob a luz dura do nascer do dia.

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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Rodrigo! em Ter Abr 20, 2010 9:48 pm

Seguinte: peguei o texto do Agente para revisar, OK?

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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Kio em Qui Abr 29, 2010 3:34 pm

Senhores, podem contar como revisados os textos das páginas que estou pegando para diagramar. Smile
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Re: Edição 16 - Textos para revisão

Mensagem por Jacaranda em Sab Maio 01, 2010 7:02 pm

Meu texto de mangá. Nem contei os caracteres, mas é curto:

diagramação: snuckbinks

SIDOOH - Samurais Guerrilheiros


Não tem jeito. Da mesma forma como jamais deixará de surgir nos Estados Unidos novas comics sobre super-heróis, no Japão sempre veremos novos mangás de samurais indo e vindo. O gênero é quase como uma instiuição federal por lá. Sidooh poderia ser apenas mais um título "katana e honra" daqueles que esquecemos fácil diante de pérolas como Lobo Solitário, Samurai X e Vagabond, mas felizmente assim como os norte americanos vez ou outra conseguem reinventar a roda no que diz respeito à supers, os japoneses também conseguem fazer o mesmo com seus guerreiros de espada.

Japão, final do século XIX: os americanos tinham acabado de chegar com seus "navios negros" no país, exigindo a abertura dos portos nipônicos para o restante do mundo. Muitas classes oprimidas pelo Shogun (líder do Japão naqueles tempos) viam naquela invasão uma oportunidade de subir na vida. Outros, sobretudo a classe samurai, via nos americanos uma ameaça à sua paz e status perene. O país se dividiu em duas facções e uma violenta guerra civil estourou: dando a vitória para os simpatizantes do "Gaijins" ocidentais.

No meio deste redemoinho de lutas, a situação social do Japão decaiu drásticamente. Fome, assassinatos e surtos de epidemias derrubavam à todos, sobretudo os mais pobres, incluindo dois irmãos: Shoutaro e Gentaro, os personagens centrais da trama de Sidooh. A mãe deles morreu de cólera e o pai foi morto durante os combates civis. Sozinhos, eles têm de enfrentar desde inimigos mais comuns, como a fome, até exécitos de religiosos fanáticos.

Porém, o caminho deles acaba sendo cruzado por um misterioso samurai que irá ensiná-los à lutar e, sobretudo, à sobreviver. Principalmente quando os meninos são convocados por um grupo de guerrilheiros que tenta à todo custo reverter a vitória dos "traidores" e trazer o país de volta para as mãos do Shogun.

O autor Tsutomu Takahashi possui um traço solto e rabiscado bastante característico, dando à este mangá um clima único. Seu estilo narrativo também é bastante peculiar, narrando muito bem as fases de crescimento dos meninos: de simples crianças indefesas até poderosos guerreiros samurais.

Outro titulo ótimo que tão cedo (ou jamais) veremos em nossas bancas. Mas fica a dica.

LINK DE IMAGENS
http://sakuramochi.files.wordpress.com/2008/05/sidoohcover.jpg
http://www.mydailymanga.com/wp-content/uploads/2009/01/sidooh_v04_c035_p114bakalicious.png
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