Quadrinho impresso, digital ou os dois?

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Quadrinho impresso, digital ou os dois?

Mensagem por Rodrigo! em Seg Dez 26, 2011 8:44 pm

Ao apagar das luzes de 2011, uma questão ainda gera debates acalorados, porém nenhuma conclusão definitiva. Afinal, o formato digital veio para ficar, inclusive nos quadrinhos? Para ao menos tentar acender uma vela no fim do túnel, conversei com autores, editores e estudiosos do tema. Leia e veja qual a sua conclusão. Se puder, compartilhe sua opinião ao final do post, no link de Comentários.

JBlog >> Para um autor novato, vale a pena ele lançar o livro simultaneamente em e-book e impresso, ou seja, em formato impresso e eletrônico ao mesmo tempo?

Na opinião de Bia Willcox, diretora executiva da editora Faces e produtora de conteúdos da "Imagem e Conteúdo", vale e vale muito. “São públicos distintos. Quem lê e-book é um público mais jovem e formador de opinião. Mas ainda acho que os livros tem que estar nas estantes de algumas livrarias e, principalmente, nos principais canais de e-commerce”.

O quadrinista Laudo Ferreira concorda: “Sem problema algum, são mídias diferentes e acredito que com segmento de público e alcances diferentes”.

O doutorando Fabio Mourilhe lembra que “existem certos casos, onde os quadrinhos são dispostos on-line integralmente antes ou simultaneamente ao lançamento do livro impresso, como ocorreu com Rafael Sica, e em outros casos apenas uma amostra do trabalho é disposta on-line (como ocorreu com Koostella). O material disposto on-line com certeza serve de estímulo ao consumo do material impresso (e vice-versa)”.

Mais ponderado é Renato Lima: “Se você quer que algo impresso tenha valor, colocá-la disponível na web (por um preço bem menor ou até de graça) é um "tiro no pé" se o autor e/ou editor depende dessa renda para prosseguir. Se é uma iniciativa que, de alguma maneira (lei de incentivo, patrocínio etc), já está segura financeiramente, o e-book gratuito é um chamariz de alcance mundial para abrir portas e formar público”.

“Acho que nada substitui a mídia impressa porque sou um nostálgico incorrigível”, frisa Lima, “mas reconheço que o e-book é mais do que uma realidade e tem que estar inserido no planejamento de qualquer lançamento, obrigatoriamente”. No outro extremo da corda, Allan Sieber é enfático: “E-book é para idiotas. Quem lê livro em computador? Prefiro não conhecer esse "público"”.

JBlog >> Um autor sem editora e, logo, sem distribuidora, pode fazer venda direta ao leitor e deixar o livro em consignação em algumas livrarias menores. A seu ver, esta é uma boa solução ou a melhor forma de vender livros é criando eventos de lançamento constantemente?

Renato Lima dá uma resposta bem completa à questão:
“Na experiência que tive tanto com a Mosh! quanto a Jukebox, os eventos sempre serviram muito bem para levantar tanto o dinheiro quanto para propaganda da edição que estava sendo lançada naquele evento específico. Nunca abandonamos os pontos de venda tradicionais, as vendas pela internet (sites de lojas, diretamente com o leitor etc), os cartazes e outros. Mas sempre consideramos esse lado muito mais lento e burocrático para editores independentes...

Para que a revista circulasse bimestralmente, sem muitos anúncios, tínhamos que levantar $$$ de maneira mais imediata e, principalmente, indo onde o público está, agir com uma postura mais dinâmica e incisiva em relação às vendas. Por duas vezes conseguimos bancar todos os custos com a realização de apenas um evento de lançamento. Nas outras vezes, a soma de todas as opções (evento, anúncio, pontos de venda etc) tornou possível que o projeto continuasse, considerando que metade sempre coube aos eventos, no mínimo”.

Na opinião de Bia Willcox, “Self-publishing não é algo tão bem visto no mercado ainda. Nos EUA os livros publicados sem editora são tidos como de menor qualidade. Mas, sem dúvida, promover eventos que agreguem conteúdo ao livro é a melhor solução - debates, entrevistas, vídeos”. Menos sutil, Allan Sieber diz que “a missão de vender livro não é para o autor. A não ser que ele venda incenso também”.

Quem pensa completamente diferente é Laudo Ferreira (FOTO). “Já tive publicações independentes que coloquei à venda em livrarias menores e tiveram ótimo retorno de vendas, assim como a venda direta para o leitor, mesmo através de alguns sites especializados como o Bodega do Leo. Mas também, criando eventos e participando de eventos é um outro grande caminho para venda, criando um contato direto com o futuro e provável leitor. O FIQ em novembro último foi uma absoluta prova disso, pois o que mais se vendeu, acredito, foram as publicações independentes”.

JBlog >> Liberar o livro em PDF gratuitamente, funciona como uma isca para que o consumidor compre o livro impresso, físico, depois, ou cada vez mais o leitor está desprendido do produto material e mais ligado em assimilar aquele conhecimento e ponto final?

“Acredito que a liberação total do material - gratuitamente - deva esperar que a edição se esgote ou, pelo menos, que já tenha passado um ano de lançamento”, opina Renato Lima. “Isso contribui para que novos leitores (no caso das revistas) se interesse pelas novas edições sem ter que gastar para se atualizar sobre as histórias, personagens etc e não anula o valor da edição impressa original”.

Bia concorda. “Por princípios nunca acho que o livro em pdf liberado sem proteção e gratuitamente vai gerar pirataria ou atitudes de má-fé. Mas há que se ter cuidado pra quem se envia o arquivo do livro! Não acho que enviar o livro em pdf vai fazer o leitor comprar o impresso, mas talvez mandar um "tira-gosto" do livro seja uma boa isca”.

E faz uma provocação importante: “O mercado editorial é muito antigo, ele cheira naftalina. É preciso mudar os paradigmas. É preciso mudar as mentalidades. O livro não pode passar por tantas etapas e se tornar tão caro e, ao mesmo tempo, render tão pouco para o escritor. Temos que repensar esse mercado e fazer diferente - editores e escritores”.

“Não acho essa opção viável, porém, não recrimino quem faz isso. Cada um sabe o caminho que vai dar a seu trabalho”, diz Laudo. “Isca é para peixes”, detona Sieber.

No trabalho apresentado na Amazônia Comic Con, Fabio Mourilhe conclui que “quadrinhos on-line podem se manter financeiramente através da propaganda, merchandising, comercialização de edições das tiras em livros, comercialização de artes individuais, assinaturas de conteúdo on-line, doações ou combinações de todas estes procedimentos anteriores”.

E com a sabedoria de quem pesquisa HQs há anos, o professor Waldomiro Vergueiro faz um resumo de tudo: “Esta questão dos suportes (ou formatos) para livros ainda está muito nebulosa. Acredito que o futuro tem muito mais incertezas do que certezas. Ninguém tem condições de afirmar que os formatos de e-book terão tão larga aceitação a ponto de colocar em xeque a produção de livros em papel. Em termos técnicos, os livros eletrônicos estão avançando bastante e pode-se imaginar que ocuparão uma parte do mercado, provavelmente o espaço dos livros de consulta rápida e da pesquisa, mas ainda é cedo para afirmarmos que irão ter o mesmo efeito na leitura de literatura em geral”.

Na opinião do pesquisador da USP, “todas as opções que você citou representam alternativas válidas e acho que devem ser vistas em conjunto, não como excludentes. hoje em dia, quanto mais formas um autor tiver de chegar até o seu leitor, ainda que no primeiro momento não tenha uma retribuição financeira adequada, mais possibilidades ele terá de se firmar no futuro. Acredito que é prudente um autor distribuir suas fichas em várias possibilidades ao mesmo tempo, pois dessa forma amplia suas chances de sucesso”.

E aí, confundiu ou esclareceu ainda mais? O que você faria se lançasse seu livro?

Fonte JBlog

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